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1.1.08

SHAMAN KING GANHA EDIÇÃO DEFINITIVA NO JAPÃO E NOVO FINAL



O mangá Shaman King, que a alguns anos ganhou popularidade no Brasil
e nos EUA, não obteve a mesma repercussão em seu país natal e por isso
acabou em 2006, com um final que desapontou os fãs.
Mas agora estes terão mais uma chance de acompanhar Yoh e sua turma:
Shaman King Kang Zeng Bang, o nome daversão definitiva (Ou Kanzenban
no original nipônico) começará a ser vendido em Março deste ano. Serão
duas edições por mês de um total de 27 edições, que neste último
apresentará um novo encerramento para série (Que desta vez, os fãs
esperam que seja mais satisfatório...)
Apenas como curiosidade, o animê de Shaman King, ao contrário do
que acontece tradicionalmente no mercado japonês, chegou ao final antes
do mangá, por motivos desconhecidos por este humilde jornalista (Provavelmente por atraso da versão em quadrinhos).
Ainda não há previsão para a versão definitiva no Brasil.

26.11.07

Entendendo o Retcon

Avengers: The Iniciative #7 (E o novo uniforme bisonho do Aranha...)



Na matéria anterior eu comentei sobre a nova mudança na vida do Aranha e sobre o que era o Status Quo (Ou seja, o estado original ou alguma particularidade que nasce e é preservado com o personagem, e quando é modificado na maior parte das vezes é apenas em caráter temporário) para uma história em Quadrinhos.

Como originalmente eu havia escrito aquela matéria para um site de HQ´s, para os que não lêem algumas referências devem ter sido confusas de se entender. Foi pensando nisso que eu resolvi destrinchar o universo das histórias em quadrinhos, americanas ou não, seja para você que é marinheiro de primeira viagem ou só um fã curioso.

Mas o que Diabos é o Retcon, você se pergunta?

Retcon (Do inglês Retroactive Continuity, ou Continuidade Retroativa) é o processo utilizado para trazer de volta um elemento original de um personagem ou de seu universo, ou seja, o Status Quo.

É o tipo de mudança predominante em uma HQ, e pode desfazer eventos tanto superficiais (Como um uniforme novo de um herói) como dito definitivos (Como um personagem voltando à vida por exemplo, o que é pra lá de comum em revistas da DC e da Marvel ).

O Retcon é algo presente desde os primórdios dos quadrinhos. Na chamada “Era de Ouro”, quando apenas os personagens de maior sucesso conseguiram se manter no mercado, a DC comics (Que na época ainda era conhecida como “Detective Comics”) recontava a origem de seus personagens várias vezes, fora histórias que continham eventos que mudavam radicalmente a vida dos heróis e que, na edição posterior, o apresentava como se nada tivesse acontecido.

O motivo para esse tipo de coisa tanto naquela época como nos dias de hoje é manter os personagens de forma apresentável tanto para leitores veteranos como novatos. Quem conheceu a origem do aranha na série animada por exemplo não quer saber se nos quadrinhos o Peter Parker que ele conhecia é um clone e o original mesmo é um tal de Bem Reilly, pois para ele a versão verdadeira é outra. Então para agradar a esses leitores mais novos e aos antigos, cuja a maioria é purista, nada melhor do que a velha desculpa de um Retcon para preservar o Status Quo, não? (Eu já repeti essa penúltima palavra várias vezes... ela é legal pra caramba não? =P). O mesmo vale para outras mídias, como o cinema.

Muitos eventos considerados marcantes nos quadrinhos já foram desfeitos por Retcons: A Morte do Super Homem, o Batman ter ficado paraplégico, mudanças na identidade de heróis (Normalmente com o dono anterior do uniforme voltando a vesti-lo e o atual morrendo), todos eles já passaram por esse processo. Como disse, ele é predominante, principalmente em mudanças radicais.

Mas existem casos desse tipo de mudança que se mantêm até os dias de hoje, pelo menos por enquanto. Tomando o Homem Morcego como exemplo, uma de suas histórias mais cultuadas se chama A Piada Mortal , onde o Coringa aleija Bárbara Gordon (Filha do comissário Gordon e na época Batgirl). Até hoje ela continua na cadeira de rodas, agindo como uma hacker de codinome Oráculo. Ou ainda temos a antológica história A Noite Em Que Gwen Stacy Morreu (Nos quadrinhos, o primeiro grande amor da vida de Peter Parker e que alguns tiveram o prazer [Ou não] de conhecer em Spider-Man 3).

Talvez você esteja se perguntando por que então fazer uma mudança que possa sofrer um retrocesso ou então em que esse já esteja planejado sejam aprovadas, não? A resposta é simples: mercado. Muitos produtores de HQ´s americanas as vêem apenas como produto e não como arte. Então, se eles tiverem a chance de fazer uma mudança que faça as vendas da revista aumentarem, mesmo que se complique com as suas conseqüências para a cronologia, tanto faz : o que importa é o dinheiro entrando(Alguém ai se lembra da polêmica que foi a morte do Super Homem? Saiu matéria até no Fantástico!)

Então é isso. Se o Retcon fosse utilizado como uma alternativa e não como falta de opção(Ou para vender bonequinhos baseados no uniforme novo de fulano), talvez a cronologia das HQ´s fizessem mais sentido. Como não é....

É triste. Mas já chega. Vamos dar um Retcon nesse assunto...


8.11.07

Spider Man: One More Day (Ou “Como a Marvel mais uma vez mata um de seus personagens favoritos em nome do Status Quo)”.


Quando pequeno, eu não era um grande fã de quadrinhos. Adorava super heróis, passava o dia todo imitando eles ou assistindo adaptações em desenho animado, mas nunca tinha coragem de chegar perto de uma revista.

No entanto, tudo mudou quando li pela primeira vez o homem aranha.

O desenho da capa era uma versão feminina do Venon (“A noiva de Venom” vinha escrito abaixo desta) e a edição trazia a última história da saga do clone. Como disse anteriormente, era a primeira vez que lia algo do amigão da vizinhança e lembro que fiquei maravilhado com a revelação contida nela: Peter Parker na verdade era um clone, e o verdadeiro era um tal de Ben Reilly! Eu achava que tinha um marco das histórias em quadrinhos em casa, e que um dia aquela minha revistinha seria lembrada por toda uma geração de fãs como a edição que mudou para sempre a vida do teioso.

Pobre criança inocente que eu era...

Lembro que todo mês eu gastava fervorosamente o dinheiro que juntava para comprar o Homem-Aranha e a Teia do Aranha da abril, só pra acompanhar os primeiros passos de Reilly com o uniforme. Embora não o achasse tão engraçado quanto Peter, ele era o original, e isso é o que importava para mim (E depois, o uniforme do Reilly era legal pacas... se era pra fazer um visual radical que chamasse a atenção, os editores da Marvel conseguiram. Bom, pelo menos isso deu mais certo aqui do que em Civil War...). E durante um ano acompanhei a série satisfeito, até a Marvel decidir aprontar novamente.

Imagine, eu e um monte de pessoas que acompanhavam a revista agora já aceitavam Ben como o Aranha original, e então um ano depois chega às bancas uma edição do aranha com o subtítulo “A saga do clone, capitulo final!”, que dividida em quatro partes (Ou seja, nas revistas Homem-Aranha e Teia por dois meses) revelava que, na verdade, tudo o que acreditamos nesse tempo era mentira, que Peter era mesmo o verdadeiro, o Duende Verde (?) estava por trás de tudo isso e de quebra, Ben, coitado, era um clone e ainda morria de uma forma tão ridícula que o conjunto da obra parecia uma historia de um fanfic ruim.

Depois disso eu fui aprendendo que não dá pra acreditar em “mudanças radicais” na vida de super-heróis de quadrinhos, principalmente do aranha. Se hoje um inimigo importante dele morre, daqui alguns meses ele estará de volta. Se ele for despedido do emprego, pode ter certeza que daqui a pouco ele voltará ao mesmo por uma desculpa esdrúxula.

Infelizmente, em um mundo onde os personagens continuam com a mesma idade após quarenta anos, falta originalidade para manter esse sistema. A maior parte dos roteiristas, quando fazem alguma mudança, decidem logo fazer a coisa mais radical possível apenas para deixar sua “marca” no personagem (Leia “limitar, aleijar, matar”... coisas assim). Se fosse algo bem elaborado até que tudo bem, mas na maioria das vezes não é, e então somos obrigados a ver aquele “desastre” na vida do herói que, mesmo com a editora dizendo que “mudará para sempre a vida dele” daqui a alguns meses tudo volta a ser o que era antes. E é isso o que chamamos de Status Quo, que é manter algo em suas condições mais originais possíveis.

Ok, após o extenso comentário acima, acho que eu posso ir direto ao ponto. One More Day é a última história escrita por J.M. Straczynski, criador do seriado Babilon V e que, embora escreva bons argumentos, é mais um dos escritores que querem deixar sua “marca”. Como se não bastasse dar ao herói novos poderes que em nada o acrescentam (Garras? Fator de cura? Esse é o Homem-Aranha ou o Wolverine?) agora parece que ele, e o editor chefe da casa das idéias Joe Quesada decidiram mesmo chutar o balde, ou melhor, retornar toda a vida do herói de volta ao zero.

Na trama dessa saga, após ser baleada, Tia May fica entre a vida e a morte. Então, para salvá-la, de uma forma “mágica” (???) o herói terá que decidir entre a vida de sua tia e os momentos de seu casamento com Mary Jane. E adivinhe o que o nosso amigo decidirá?

Esse sempre foi um dos maiores problemas das histórias em quadrinhos. Os escritores, sem nenhuma idéia original, decidem fazer a primeira mudança estúpida que vier pela frente apenas para “ver no que vai dar”, e no final das contas terminam complicando tanto a cronologia do personagem que decidem desconsiderar a mudança, mas como não podem fazer isso sem ferir a cronologia decidem dar uma explicação capenga, de que afinal tudo aquilo jamais aconteceu, ou foi obra de algum grande vilão, etc...

Explicação desses tipos têm aos montes. Mas o pior, de verdade, foi dessa vez eles terem mexido em algo que para mim era o mais importante para o homem aranha: Seu casamento com Mary Jane.

Embora os roteiristas achem que o que faz o herói é apenas o seu “conflito”, ele também é feito pelos personagens coadjuvantes que lhe são importantes, eles é que compõem o seu lado humano! E não havia ninguém, nem mesmo a tia May, que representasse melhor esse lado do escalador de paredes do que Mary Jane Watson Parker. Na perda do primeiro filho do casal, a “descoberta” de que Peter era um clone, eles sempre tiveram um ao outro, complementando-se de uma forma tão perfeita e sincrônica que é difícil ver uma relação tão solidificada quanto a deles em casais tanto nas historias de HQ´s como na vida. E agora, a Marvel decide jogar tudo isso pelo ralo e dizer ao leitor que agora o Peter Parker da cronologia sempre foi solteiro. A ta. Obrigado Marvel.

E agora, qual será a próxima grande saga na vida do aracnídeo, que mudará sua vida “para sempre”? O Retorno de Gwen Stacy? Ah não, isso já deve ter acontecido. Puxa, como é difícil ser original” hoje em dia para escrever historias em quadrinhos...